17 de Janeiro de 2022
- figtreevic

- 17 de jan. de 2022
- 2 min de leitura

Caro amigo,
já se passou um bom tempo desde a última vez que nos falamos. Sinto muito pela minha ausência e espero com todo meu coração que os últimos dias de 2021 tenham sido cheios de alegria e celebrações e que você tenha passado um ótimo tempo com os seus.
Sei que lhe devo alguma resposta sobre meus trabalhos e é exatamente por esta razão que lhe escrevo hoje. Você me conhece, não é mesmo? Não é nenhuma surpresa se eu lhe disser hoje, que tudo se encontra estagnado, ao tal ponto que mesmo meus mais valentes esforços não são capazes de reverter a situação. Mais uma vez acumulei dezenas, se não centenas de páginas que para mim agora não são nada mais que uma oferenda falha aos pés de um vazio altar.
Minha vontade, caro amigo,e não qualquer outra coisa, é minha maior fraqueza.
Feito as águas do mar que sobem e descem seguindo os ditames de um agente invisível, assim também são minhas inclinações. Em bons tempos, em tempos de cheia, preencho páginas e mais páginas que me enchem de ideias e esperanças. E então, como a lua por sobre as águas, minha vontade minguante faz recuar meus esforços, não restando na praia nada além de poças de água salobra e estagnada.
Mas todas as águas que descem, são obrigadas a subirem novamente em um determinado momento, e ai, caro amigo, que reside minha salvação
É época de cheia novamente! É tempo de trabalho e de escrita.
Ao contrário do que fiz da última vez, não farei nenhuma previsão ou promessa em relação ao meu trabalho. Já me bastam meus próprios julgamentos e quanto aos seus, é preferível que eu não os atice por ficar falando demais. Ficará pronto quando estiver pronto e levará tanto tempo quanto tempo eu levar para dilatar minha vontade.
Mas nem tudo se perdeu, companheiro. Desse punhado estagnado que me restou, algumas boas páginas podem ser recolhidas, assim como o sal o é das salinas. Se não forem diretamente utilizadas em um texto final, ao menos deixaram expostas arestas que se não foram abauladas na certa dificultarão meu avanço.
Não se preocupe, mais cartas minhas chegarão até você, e se puder, não deixe de me escrever de volta.
Desejo-lhe o melhor de tudo que sob o céu existe e que a terra não reivindica.




Comentários