18 de Janeiro de 2022
- figtreevic

- 18 de jan. de 2022
- 2 min de leitura
Caríssimo,
Estive pensando muito sobre a vontade estes últimos dias.
Se é pela vontade que as obras se tornam possíveis, então ao meu ver não há nada mais importante em que eu precise trabalhar.
Estive lendo A educaçao da vontade de Jules Payout, e redescobri como é gratificante encontrar nesses pequeninos livros palavras tão sábias e carregadas de ensinamentos tão valiosos que é de se surpreender que não estejam sendo ensinados e abordados em todas as instituições de ensino, principalmente durante a juventude.
Ora, não é por outro motivo se não pela insuficiência de sequer se pensar sobre conceitos como a vontade que não só eu, mas com certeza uma boa parte de minha geração, se vê incapaz de produzir ou levar à cabo trabalhos ou empreendimentos, principalmente intelectuais.
Cabe a cada um de nós, na falta de auxílio exterior, sermos capazes de procurar por nossos próprios meios, maneiras de reverter essa desfavorável condição. Sábios e mestres confiáveis são importantíssimos para tal. São suas vozes e palavras que nos guiarão por estas trilhas seguras até então desconhecidas por nós.
Em minha última correspondência, lembro-me de comparar minha vontade aos movimentos das marés, e veja que surpresa encontrar a seguinte passagem escrita por Payout:
"(...) uma vez que as circunstâncias exteriores deixam de estimulá-los, têm a tendência a regredir. "
E é claro que esta simples frase continua de maneira ainda mais significativa:
" E todos esses para quem uma ardente sede de ideal e uma certa nobreza de alma não fornecem motivos interiores para empreender a penosa tarefa de libertar-se cada vez mais completamente da animalidade, deixam-se ir à deriva."
Os estímulos exteriores, sejam quais forem, de princípio tecnológico, químico ou biológico, são em sua maioria, muito mais potentes que aqueles encontrados na calma e na solidão da produção intelectual verdadeira.
Não são poucos os que dizem que é preciso abrir mão de tudo aquilo que nos distraí e nos faz perder tempo. É importante separar uma parte de nosso dia para nos dedicarmos inteiramente à atividades sem proposito definido? Talvez seja. Eu mesmo não tenho neste momento capacidade para tamanho hercúleo esforço de abandonar completamente as distrações, mas a todo instante uma outra frase também me cutuca:
Se poupar é se perder*
Se ainda não sou capaz de poupar-me das distrações, ao menos não me pouparei dos esforços e da incessante busca por educar minha vontade.
Abraços,

* vi essa frase no perfil do Dr. Saulo. Se desejarem saber mais sobre tais assuntos, não deixe de seguir o perfil do Saulo no instagram.




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