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19 de Janeiro de 2022

  • Foto do escritor: figtreevic
    figtreevic
  • 19 de jan. de 2022
  • 2 min de leitura

(...)


Acumulei ao longo de todos esses anos de escrita muitos e muitos cadernos, pads, calhamaços de papel solto.

Nós escritores, estamos de alguma maneira sempre anotando ideias em algum canto. Eu particularmente carrego um caderno comigo para qualquer lugar que vou. Coloco uma caneta tinteiro, a mais vagabunda, entre as páginas e estou preparado para anotar as súbitas imagens que me vêm a mente.


Recentemente encontrei misturado e jogado com um monte de tralhas um dos mais antigos desses meus caderninhos.

O que salta aos olhos ao abrir as primeiras páginas é o quanto minha letra mudou ao longo desses anos. Àquela época eu ainda não usava canetas tinteiro. Eu nem sequer sabia aonde eu poderia conseguir uma. As palavras escritas em letra de fôrma, miúdas e agarradas umas as outras me pareciam à época a mais fina escrita.




Lembro-me que estava estudando alguns assuntos e dentre eles eu precisava descobrir qual era o meu "animal". Não me lembro exatamente qual era o simbolismo envolvido, mas os dois ratos desenhados, um na primeira página, e o outro na última, não escondem qual animal foi determinado para mim. (Não posso negar que gostei bastante dos desenhos).

Muita das páginas amareladas estão preenchidas com ideias sem sentido, rascunhos de projetos, enredos mirabolantes que hoje me soam irreconhecíveis. Mas qual não foi minha surpresa, caro amigo, ao encontrar lá dentro muitas das sementes das ideias que me são mais caras hoje?

Estavam em um estado inicial, é verdade. Ao longo dos anos essas mesmas ideias foram ganhando contornos mais bem definidos, a estética ficou mais bem trabalhada, o tema ficou mais claro, mas o germe, o núcleo duro, já estava lá, tantos anos atrás.

Quão gratificante é percerber que o trabalho atual consiste em uma constância dura que persiste comigo por tanto tempo. Acredito que as boas ideias são exatamente isso, persistentes, permanentes, verdadeiras rochas em meio ao mar volúvel.


Vejo que inúmeras pessoas que têm o desejo de escrever se dizem sem ideias, que não sabem ao certo sobre o que escrever. Não sou nenhum mestre nem professor de ninguem, mas se eu pudesse lhes dar um conselho seria este, tenham seus próprios caderninhos. Escrevam nele tudo o que lhe parecer interessante, mesmo que não signifique nada no momento, escreva mesmo assim, sem pudor e sem julgo. Uma quantidade enorme de frases dispensáveis serão acumuladas à medida que você for preenchendo as páginas, mas no meio de tudo, no meio daquela aparente bagunça sem começo, meio e fim, lá estará também o germe de uma grande ideia para um livro ou história únicos.

As idéias descartáveis são o adubo das boas idéias e o seu caderno de anotações, o solo necessário.


Abraços, amigo!




 
 
 

4 comentários


Rodolfo Poppi
Rodolfo Poppi
21 de jan. de 2022

Minha letra pra escrever é igual que nem a sua desse antigo caderno, com bem menos capricho pq não tenho talento pra arte desenhada. Inclusive, esses ratos 👏👏👏

Não sei nem desenhar bonequinho de palitinho.

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figtreevic
figtreevic
21 de jan. de 2022
Respondendo a

Dolfão, eu tentei aprender a desenhar, tentei mesmo, mas não levo muito jeito não. Eu até faço algumas coisas de vez em quando, mas não passam de uns desenhos mal-feitos bem-feitos.

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aline
21 de jan. de 2022

Eu tenho muitos Alfarrábios!

não dá para confiar na memória!😉

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figtreevic
figtreevic
21 de jan. de 2022
Respondendo a

Não, com toda certeza não dá kkkkkkk. Eu não posso ver um caderno que eu já quero comprar. 🤣

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