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30 de Novembro de 2021

  • Foto do escritor: figtreevic
    figtreevic
  • 30 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

Querido amigo,


Falta menos de um mês para o natal. Lembro com um certo amargor que em 2018 havia prometido a mim mesmo que terminaria o ano dizendo "escrevi um livro". E aqui estamos nós, três anos depois, ainda na mesma situação. Presos no presente do indicativo e jamais no pretérito perfeito.

Não vou reclamar, essa semana começou muito bem. Consigui escrever mais de cinco páginas nestes dois últimos dias e embora eu saiba que com certeza todas elas precisarão ser modificadas e alteradas em algum momento, me sinto satisfeito por ao menos conseguir avançar. Me sinto feito uma escavadeira avançando sobre o terreno à ser trabalhado.

Tenho escrito inclusive de madrugada. A exaustão do trabalho diário não tem sido suficiente para me impedir de escrever pelo menos alguma coisa depois que chego em casa. Nesses momentos eu escrevo e cochilo na mesma medida, mas me dá satisfação e isso que importa.

E como se escreve!

O que acontece é que o texto assim que é escrito está muito bruto, muito cru. É preciso um esforço grande para coloca-lo no papel e um maior ainda, gigantesco quase, para vir e conserta-lo depois.

Estava arrumando minha mesa esses dias e não pude deixar de notar uma certa semelhança com tudo isso.

O texto bruto é igual a mesa depois de dias de trabalho. Existe de tudo ali, papéis, cadernos, canetas, livros, dicionários. É a mesma coisa com a primeira versão de um texto. Existe coisas de mais ali dentro, muitas delas desnecessárias ao texto final, mas que são invevitáveis neste início de processo.Colocamos ali dentro, assim como na mesa de trabalho, tudo que achamos que será preciso sem nos preocuparmos com econômia e com espaço. Esse excesso de coisas e palavras nos dá um quê de segurança, o texto robusto, carregado, cheio, aparenta ser um texto bom.

É preciso então organizar, retirar tudo da mesa, absolutamente tudo e deixar apenas aquilo que é extritamente essencial.

Quanto trabalho!

Depois que a mesa está limpa, que se sabe exatamente o que é que realmente deve ficar ali, ai sim temos a liberdade e a segurança para, aos poucos, ir adicionando os contornos e os adereços que vão ressaltar o que queremos dizer.

Ainda estou preso na primeira parte, tenho sempre a sensação de que se eu voltar e adicionar um novo trecho, um novo parágrafo, às vezes um capítulo inteiro, as coisas ficarão mais coesas e mais consistentes.

Tampouco evito faze-lo. Escrevo tudo, tudo. Nunca se sabe quando vamos encontrar algo realmente bom.

Espero que esta carta lhe encotre bem.

Até breve,



 
 
 

2 comentários


Rodolfo Poppi
Rodolfo Poppi
30 de nov. de 2021

O meu processo de escrita ele é mais catártico. Quanto sento pra escrever, eu solto o dedo e a imaginação, e vou indo até perder o entusiasmo, algo que pode durar umas 8 horas seguidas. Aí eu "esqueço" o projeto por uma semana, e depois volto pra ler o que eu escrevi e continuo o raciocínio. Nesse meu primeiro romance que eu vou lançar em breve, eu sabia exatamente a história, os personagens, o enredo. Ai fui separando as ideias por capítulos, oq deixou a história mais linear e organizada. Mas cada um no seu processo. Eu estou muito curioso pra ver o que vai sair dessa sua grande obra. Uma vez entrevistaram o Jô Soares e ele disse que o exercício…


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figtreevic
figtreevic
01 de dez. de 2021
Respondendo a

Pois é, meu velho. Cada escritor tem suas idiossincrasias. Por mais que você encontre dicas e conselhos em outros escritores, você precisa sempre tentar e testar, até encontrar o jeito que melhor funciona para você.

Desejo todo sucesso do mundo no lançamento do seu próximo livro, Rodolfo!

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