16 de novembro de 2021
- figtreevic

- 12 de nov. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de nov. de 2021
Caro amigo,
Já se foi há muito o tempo que nos correspondíamos com maior frequência, coisa que intento remediar de imediato, visto que estou novamente envolvido na produção de um novo texto que em muito tem tirado meu sono e que sem seus sábios conselhos levará mais tempo do que julgo necessário.
Como sabe, escrever sempre foi para mim uma tarefa solitária, feita na calada da noite, atividade que se inicia somente quando se calam as ruas e cessam as distrações do dia. E assim pensava que seria novamente, sozinho em meu canto sem contactar ninguém, e assim seria se não fosse eu ter lido num curto intervalo de poucos dias algumas das cartas de Flaubert.

Tão impressionado fiquei com seus relatos profundamente verdadeiros sobre o ofício de escrever e sobre a profissão de escritor que me vi desejoso de executar o mesmo feito.
Decidi por então lhe escrever também, como meu mais fiel companheiro de tentativas (até então infrutíferas, para dizer o mínimo),é a pessoa ideal para me acompanhar novamente em mais uma nova empreitada. Seu espírito incansável e seu báu de conselhos que jamais esvazia serão para mim de grande ajuda, se, é claro, decidires me ajudar.
E se queres saber, começo amanhã mesmo a escrever. Não deixarei passar nem mais um dia sequer!
Tenho aqui comigo um bocado de páginas rabiscadas e anotações que me valerão alguma coisa se eu for paciente o suficiente para garimpar o que se esconde no meio dos rabiscos e rasuras. É certo que a ideia já não é mais tão, devaneio e uma forma mais sólida da narrativa já se acomodou em algum recanto da minha mente, e daqui para as páginas e para a completude da obra só é necessário comprometimento visto que o material essencial já se encontra presente e vivo.

.
Confesso que muitas dessas páginas tornar-se-ão ruína no fundo de alguma velha caixa antes que eu volte a por meus olhos sobre elas. É um tanto triste pensar que muito de meu trabalho e esforço de nada valem a não ser no aperfeiçoamento no trato da palavra, o que por si só já valem, mas ainda assim, serão desperdiçadas como o excesso que são.
De um jeito ou de outro, deseje-me sorte, caro amigo, pois que não intento retornar sem antes agarrar com mãos firmes o maior prêmio.
No mais, escrevo-lhe dentro em poucos dias com novidades!




Comentários